Nunca entrei numa prisão, já falei com pessoas que estiveram presas, mas sobretudo falo com pessoas que estão presas dentro de si próprias.
Não me é fácil imaginar o que é estar preso meses, anos seguidos e não ter acesso á liberdade e ás pequenas e grandes coisas que ela nos proporciona.
Não me é fácil imaginar o que é não poder assistir e participar no crescimento de um filho, não estar ao lado das pessoas que se ama.
Não me é fácil imaginar a culpa e a vergonha que alguns presos sentem pelos actos que cometeram.
Não me é fácil imaginar o que sente alguém que está preso injustamente, tentando provar a sua inocência.
As fotos que me pedem para comentar mostam as grades, mas também a tentativa dos que estão presos de ter uma vida o mais próxima possivel dos que estão cá fora.
Talvez tenham um certo pudor em mostar o que de menos humano e solidário também lá se passa.
Do que se compra e se vende, desde os bens essenciais até á simulação dos afectos, tudo tem um preço que pode ser bem alto na prisão.
Da altissima taxa de seropositividade e de tuberculose, dos suicidios e das tentativas de suicidio, bem reveladores do desespero de quem não vê outra saída para a tristeza.
Do medo dos mais fracos em relação aos mais fortes.
Mas são seguramente fotografias que me fazem pensar que a liberdade não tem preço e que a privação dela é o maior preço que alguém pode pagar durante a sua vida.