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Nunca Entrei numa prisão

José GameiroPsiquiatra

Nunca entrei numa prisão, já falei com pessoas que estiveram presas, mas sobretudo falo com pessoas que estão presas dentro de si próprias.

Não me é fácil imaginar o que é estar preso meses, anos seguidos e não ter acesso á liberdade e ás pequenas e grandes coisas que ela nos proporciona.

Não me é fácil imaginar o que é não poder assistir e participar no crescimento de um filho, não estar ao lado das pessoas que se ama.

Não me é fácil imaginar a culpa e a vergonha que alguns presos sentem pelos actos que cometeram.

Não me é fácil imaginar o que sente alguém que está preso injustamente, tentando provar a sua inocência.

As fotos que me pedem para comentar mostam as grades, mas também a tentativa dos que estão presos de ter uma vida o mais próxima possivel dos que estão cá fora.

Talvez tenham um certo pudor em mostar o que de menos humano e solidário também lá se passa.

Do que se compra e se vende, desde os bens essenciais até á simulação dos afectos, tudo tem um preço que pode ser bem alto na prisão.

Da altissima taxa de seropositividade e de tuberculose, dos suicidios e das tentativas de suicidio, bem reveladores do desespero de quem não vê outra saída para a tristeza.

Do medo dos mais fracos em relação aos mais fortes.

Mas são seguramente fotografias que me fazem pensar que a liberdade não tem preço e que a privação dela é o maior preço que alguém pode pagar durante a sua vida.