prisões
espaçoshabitados
Corria o início de 2004 quando fiz as primeiras diligências, através do Dr. Pedro Biscaia (Secretário Executivo da Comissão de Direitos Humanos), para que fosse permitida a entrada do Nuno Antunes em vários Estabelecimentos Prisionais e autorizado a fotografar os espaços e o modo de vida dos reclusos.
Essa pretensão teve, desde o primeiro momento, uma expectante receptividade por parte do Director Geral dos Serviços Prisionais, Dr. Luís Miranda Pereira, a quem é devido um agradecimento especial. Não fosse a sua disponibilidade e este projecto não teria sido possível.

O desafio ficou nas mãos do artista e na sua capacidade para apreender essa realidade tão própria, naturalmente inspiradora, para o bem e para o mal, muito específica do universo penitenciário.
E o que se pedia não era fácil: tão só que, a partir desses espaços vividos por pessoas, se desenvolvesse a ideia charneira das “prisões, como espaços habitados”.

O trabalho realizado traduziu-se em centenas de registos de enorme qualidade artística e deram origem a uma exposição de fotografia, inaugurada durante a III Semana do Advogado, em Coimbra.
O passo seguinte seria, inevitavelmente, a publicação em livro desses olhares argutos, inspirados, intencionais, permitindo o seu registo em suporte duradouro. Neste livro.
A nossa memória, que por vezes tende a esquecer o que se passa nas prisões, merecia este auxiliar precioso, não só artístico, mas de costumes, para lembrar que há outros mundos, mesmo aqui ao lado…

João Miguel Barros